No fundo, no fundo…

“A liberdade de expressão dos indivíduos inclui o direito de não concordar, não ouvir e não financiar os seus próprios antagonistas.” Ayn Rand

O fundo partidário e eleitoral é a tentativa dos políticos picaretas de tornarem-se autônomos, desvinculando-se totalmente da sociedade que deveria mantê-los, se quisesse, apenas voluntariamente.

Inauguraram um processo político totalmente pragmático, sem definição ideológica, sem fundamentação ética, conveniente e mau-caráter.

Para esses picaretas, não importa qual a ideologia ou a ética dos que pagarão para a manutenção de seus partidos ou a realização de suas campanhas. Só estão preocupados em agarrar o dinheiro, chegue ele em suas mãos como acham que deve chegar.

Bastou a sociedade dizer que para dar dinheiro para esses picaretas, só se eles usassem a força, para criarem leis que nos obrigam com o uso da força a dar-lhes dinheiro que não receberiam de outra forma.

Bem, talvez conseguissem receber através da corrupção, mas em tempos de lava-jato, parece que não é uma forma promissora de se financiar.

Mas isso tudo, nem é o pior da história. O mais inaceitável é que a consequência que poucos veem é que irão nos calar.

Não manifestamos nosso apoio a determinadas idéias apenas votando naqueles que as defendem.

Antes disso, é preciso apoiar com dinheiro, aqueles que defendem nossas ideias para que possam se candidatar.

Se não tivermos candidatos viáveis, não teremos em quem votar.

Não bastasse isso, cabe perguntar: existe afronta maior do que o dinheiro de um liberal ir parar no bolso de um fascista-comunista?

Isso é o que irá ocorrer na realidade, a perversão total de qualquer sistema político-eleitoral que se baseia em idéias.

Já temos que conviver com urnas eletrônicas que sabemos o que entra, porque lá colocamos nosso voto, mas não sabemos o que sai, porque não há como aferir se houve consistência entre o que foi digitado, o que foi armazenado e o que foi informado no final do processo.

Já temos um sistema que permite que pessoas com menos votos entrem, carregados por algum candidato popular, normalmente munido de idéias idiotas.

Já temos que nos submeter a horários eleitorais ditos gratuitos, à censura aos programas de rádio e televisão em períodos eleitorais, a programas estatais como a Hora do Brasil, entre tantas outras arbitrariedades legais.

Estamos vivendo tempos estranhos.

Nosso sistema político eleitoral resgata o slogan revolucionário americano de elevada significação “sem representação, sem tributação” (no taxation without representation).

Os americanos reclamavam que eram taxados pelos coletores de impostos ingleses segundo leis inglesas mas eles não tinham o direito de eleger representantes para o parlamento inglês. Deu no que deu.

Nós, brasileiros, somos obrigados a financiar partidos com idéias com as quais não concordamos, a pagar campanhas eleitorais milionárias de gente que nem conhecemos, a votar sob regras que não aceitamos, para sermos roubados por mentirosos que só se preocupam com o seu interesse, o que não é de estranhar.

Estamos vivendo tempos estranhos.

Tempos que na América foram marcados por duas frases lapidares…

“No taxation without representation”, Jonathan Mayhew, 1750

“Give Liberty or give me death”, Patrick Henry, 1775

Foi como eu disse. Em 1776, deu no que deu.

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