PEC 241, teto ou piso?

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O governo resolveu estabelecer um teto para os gastos que ele mesmo promove.
Convém lembrar que no dicionário dos políticos, sempre que se fala de gastos, teto significa piso.
O que precisamos saber também, é que o teto está indexado à inflação. Ora, quem cria inflação é o próprio governo quando expande a oferta de moeda ao imprimir mais dinheiro ou ao ampliar o crédito, fazendo com que os agentes econômicos, com o tempo, elevem os preços dos produtos ou serviços que oferecem, o que faz com que os índices a eles vinculados aumentem, corrigindo tudo o que estiver a eles atrelado, inclusive o teto dos gastos do governo.
Isso faz com que o governo se safe de dois problemas ao mesmo tempo: um, a limitação no processo arrecadatório via tributos, pois ao imprimir dinheiro, o governo aumenta seu poder aquisitivo às custas do poder aquisitivo da população, que passa a dispor de uma moeda com poder de compra menor; e dois, o próprio teto do gasto, uma vez que ele é corrigido pela inflação e esta é aumentada pelo governo, que pode literalmente estabelecer que o céu é o limite.
É óbvio que é melhor haver um limite, do que não haver limite algum. Porém, é obvio também que seria muita ingenuidade imaginar que com o poder de coerção que possui, o governo se auto-limitasse para proteger o poder de compra da sociedade civil às custas do seu próprio poder de compra.
O dia que isso ocorrer, vamos nos beliscar uns aos outros, é bem possível que estejamos vivendo um sonho.
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