Austrália e Brasil, a importância da cultura na formação de uma sociedade livre.

Estou impressionado com a repercussão deste post que fiz, ao compartilhar este banner idealizado e produzido pelo Instituto Atlantos, que tive a honra de ajudar a fundar. Nele, fiz uma série de comparações entre o país dos cangurus e coalas, com o nosso, terra das araras azuis e dos micos-leões dourados. Nenhum dos pontos sobre os quais me referi, são efetivamente relevantes para o ponto central do qual tratava o post, do porquê a Austrália e o Brasil tinham tantas semelhanças e experimentavam realidades sociais, políticas e econômicas tão distintas. A resposta estava implícita na última afirmação, o grau de liberdade. Parece que muitos, principalmente os que ainda não conseguem perceber as causas dos nossos problemas, não entenderam. Isto fica mais claro, nos posts seguintes que fiz, em respostas aos inúmeros comentários recebidos. Tentei na sequência, expor aquilo que poucos percebem e muitos recusam-se a aceitar. A maioria do povo brasileiro, infelizmente, não entende o que é a liberdade e porque é tão necessário um governo diferente do que temos aqui. Um governo que não aja como uma máfia, como um ente paternalista, um provedor, violando nossos direitos fundamentais, individuais e inalienáveis. Nenhuma sociedade será livre e próspera enquanto sancionar um governo assim.
Seguem os posts. Os comentários que se sucederam, estão disponíveis nas postagens originais, lá no Facebook.
Facebook, 23/12/2015
O problema do Brasil é que está no hemisfério sul. A Austrália também está.
O problema do Brasil é ser um país-continente. A Austrália também é.
O problema do Brasil é a população viver na costa e ter metade do território formado pela floresta. A Austrália também tem a população concentrada na costa e, pior, metade do território é formado por deserto.
O problema do Brasil é a colonização, vieram para cá desterrados. A Austrália também foi povoada por desterrados.
O problema do Brasil é ser uma nação jovem. A Austrália é mais jovem do que o Brasil.
O problema do Brasil é a distância dos principais centros produtores e consumidores. A Austrália também é longe de tudo.
O problema do Brasil é o extrativismo ser a base da economia. A Austrália também tem no extrativismo sua base econômica.
O problema do Brasil é a falta de liberdade. A Austrália também é um país…. Ops! A Austrália é o país mais livre do mundo.
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Facebook, 24/12/2015
Postei uma imagem produzida pelo Atlantos sobre a Austrália, listando algumas semelhanças daquele país com o Brasil e indicando qual seria nossa principal diferença. Quase 5000 pessoas compartilharam meu post e muitas fizeram seus comentários. Os mais frequentes diziam que o principal problema do Brasil seriam os próprios brasileiros. Bem, em primeiro lugar, não poderíamos imaginar que o Brasil fosse plenamente habitado por outro povo que não o brasileiro. Portanto, dizer que o problema do Brasil somos nós, o que incluiria os que fizeram esta observação, não serve para nada. E mais! Tal afirmação desconsidera que há milhões de brasileiros vivendo em vários países do mundo livre de forma produtiva e ordeira, contribuindo com sua criatividade ou força de trabalho para o seu desenvolvimento pessoal e, consequentemente, para aquela sociedade onde escolheram viver. Outros identificam que o problema do Brasil foi termos sido colonizados por portugueses. Interessante que a maior parte destes brasileiros são descendentes de alemães, italianos, japoneses, espanhóis, polacos, russos e africanos que vieram para o Brasil por escolha, ou forçados, há mais de 100 anos. Colocam a culpa de sermos pobres e violentos nos tataratataravós dos outros. Ora, somos um país povoado por descendentes de imigrantes de variadas origens que vieram para o Brasil atrás de liberdade para viver, produzir e prosperar. E conseguiram. O que acontece no país, hoje, é nossa responsabilidade. Mas o que mais me chamou a atenção, é quando os esquerdistas quiseram dizer que a comparação era falsa. Um chegou a dizer que a Austrália geopoliticamente deveria ser considerada como pertencente ao hemisfério norte. Aí é dose. Como tratar sobre abstrações com gente que nem aceita fatos da realidade. Austrália é no hemisfério norte…sei.
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Facebook, 25/12/2015
Sobre o meu post comparando a Austrália e o Brasil, há alguns facebookianos mais cordiais, que dizem que eu esqueci de comparar as culturas que são distintas entre os australianos e os brasileiros. Há outros, não tão cordiais, que me chamaram simplesmente de burro. Cabe esclarecer que nem sou alheio às diferenças culturais e tampouco esqueci delas. Todos sabemos que o Brasil foi assolado por ideias altruístas, anticapitalistas, inicialmente trazidas pela igreja católica com a catequese jesuíta e, depois, pelos pensadores e políticos positivistas, que desenharam o estado brasileiro semi-totalitário. É sabido que as ideias liberais e individualistas, que resultaram do movimento iluminista que integrou o pensamento de muitos intelectuais como Newton, Bacon, Locke e outros que reavivaram a linha filosófica iniciada por Aristóteles, jamais tiveram influência na formação cultural do Brasil. Até porque, os poucos que tentaram defender tais ideias foram simplesmente assassinados pelo governo português. Como de resto, foram sufocadas todas as revoluções liberalizantes aqui ocorridas. Mesmo com a república, seguimos curso distinto daqueles que supostamente teriam baseado nossas decisões políticas, por exemplo, diz-se que os anti-monarquistas se inspiraram na revolução americana de 1776, no entanto, enquanto a constituição americana inicia com a célebre expressão “We The People” ou “Nós o povo”, a primeira constituição republicana brasileira começa com “Nós, os representantes do povo brasileiro,…”, tal qual a última, de 1988, o que revela uma sutil diferença, a fonte do poder do estado nos EUA era o povo; já, no Brasil, eram os legisladores. O reconhecimento de que somente em um ambiente de liberdade, onde haja a primazia dos direitos individuais e o estado de direito seja um fato, será possível a prosperidade generalizada, ainda não é parte da nossa cultura. Mas este pensamento já é parte do senso comum de povos tão distintos quanto os que habitam a Austrália, a Suécia, a Estônia, Hong Kong, o Chile, a Suíça, a Alemanha, o Japão, Israel e tantos outros que conseguiram superar o apego ao coletivismo, mesmo que minimamente. Ao dizer que apesar da Austrália e do Brasil terem tantas características semelhantes, explicitei a principal diferença que faz do país dos cangurus e coalas uma sociedade mais rica que a nossa, o apego à liberdade e a noção de que o auto-interesse, defendido de forma racional, é a saída para que qualquer povo, independentemente da sua cultura, supere a miséria e a servidão. Está na hora de construirmos uma nova mentalidade no Brasil. Este trabalho começa a partir de cada um de nós. Você já está fazendo a sua parte ou vai esperar por seus representantes, como diz lá na nossa constituição?
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1 comentário

  1. Estou morando na Austrália Roberto, e compartilhei seu post no grupo dos brasileiros que moram aqui. A repercussão foi impressionante, parabéns pelo post.

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