Inflação e taxação.

O economista Paulo Rabello de Castro, na sua entrevista no programa Roda Viva, levado ao ar no dia quinze de junho de dois mil e quinze, fez uma observação sobre a mudança de método na exploração praticada pelo governo contra a sociedade, quando deixou de inflacionar de forma desenfreada, passando a tributar crescentemente, o que piorou a vida do empresário e de quem participa do processo produtivo. Pena que ninguém tenha explorado mais isso, no programa. 
De fato, a transferência de renda da sociedade que produz, para o estado que espolia, depois do plano Real, deixou de ser feita daquela forma sub-reptícia, ardilosa, por debaixo dos panos, através da inflação, para ser feita de forma afrontosa, olho-no-olho, através da tributação. 
Sem entrar no mérito que o PT está transferindo renda da sociedade para o estado das duas formas, com aumento de intensidade, o que eu gostaria de destacar, é que contra a inflação descomunal que tínhamos, a sociedade se defendia com o recurso da indexação. Ela criava uma paramoeda que neutralizava, de alguma maneira, a corrosão de renda que sofria com a inflação provocada pelo governo. 
Os mais pobres, por sua vez, quando viam que iam perder dinheiro na poupança indexada, gastavam tudo em mercadorias, antes que o valor do seu salário perdesse poder de compra. 
Agora, quando a transferência de renda é feita majoritariamente via tributação, a população tem como recurso de defesa, a sonegação. Mas a sonegação é crime, ninguém vai querer a Receita Federal, nem a Polícia Federal, batendo na porta e tirando a sua liberdade e a sua propriedade, em troca de deixar de pagar a parte do ladrão. 
Inflação é uma forma de imposto, usada por governos malandros, que acabam enrolados pelo resto da população, via a indexação, e acabam perdendo a credibilidade e a primeira eleição. 
Mas o imposto no contra-cheque, na Nota Fiscal, que deveria, pelo excesso, derrubar governos também, acaba, em certa medida, apoiado pela população. 
E agora? Quem não quer ser rentista numa hora dessas? Vale mais ser ferrado pelo governo com a inflação galopante, podendo se proteger no “open market”, com o aumento de preços, com o consumo rápido ou no mercado cambial? Ou ser pilhado, sem apelação, no melhor estilo “a bolsa ou a vida”, por essa tributação escorchante, que não tem swap ou hedge que sirva de salvação?
A propósito, a correção monetária no Brasil, foi criação dos geniais Octavio Gouveia de Bulhões e Roberto Campos, em 1964, que criaram um instrumento para proteger a poupança da sociedade, contra a tirania do governo. Era um paliativo, mas imaginem como seria o Brasil, naqueles tempos de derrama inflacionária, sem a indexação.
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