Voto, um dado da realidade ou uma falsificação?

“Não somos donos nem senhores da razão. Tentamos, com boa fé, obter o melhor resultado de segurança para nossa urna. O que pedimos é que, não só os partidos políticos, mas que a sociedade como um todo traga sugestões para análise da Justiça Eleitoral para que, se o sistema puder ser aperfeiçoado, que ele seja aperfeiçoado”, disse Henrique Neves, ministro do TSE e dono de uma “verdade” eivada de falácias.

Sim, senhor ministro, somos donos e senhores da razão, basta querermos usá-la.
Ao creditar à fé, e não à razão, a confiança no sistema eleitoral brasileiro, o senhor ministro nos pede para fecharmos os olhos e rezarmos para que o método escolhido seja honesto e confiável. Além disto, ele diz que quer mitigar a interferência humana no sistema. Outro absurdo, pois todo o sistema advém de uma única fonte: a mente humana. A interferência humana é indispensável, seja no projeto, na confecção e na manutenção dos equipamentos, na programação e na inserção dos programas no equipamento, seja em qualquer etapa necessária para que tudo funcione, do jeito que a pessoa que o concebeu deseja. Cabe também considerar, que pode haver interferência humana em todo o sistema, de forma indesejada, ilegal e imperceptível.  
Por tudo isso, é imprescindível que haja a possibilidade de aferição analógica após a computação digital dos resultados. E isto, só pode ser feito de forma independente, se for executada por especialistas que não estejam envolvidos com o processo cujo resultado está sendo auditado.
Voltar a uma situação do passado, quando o que se apresenta correntemente é algo questionável, não é um retrocesso, mas uma evolução, pois se persistirmos no curso atual, que prioriza o caminho escolhido e não o destino a ser atingido, chegaremos a um beco sem saída, onde o objetivo desejado não poderá ser alcançado jamais, o de um resultado verdadeiro e confiável. 
A verdade não possui donos, a verdade pertence à realidade na qual estamos todos inseridos e da qual a nossa consciência faz parte. Se não pudermos atestar com absoluta certeza que cada voto é verossímil, através da confrontação entre a realidade paupável e aquela imaginada no mundo virtual, jamais saberemos se estamos lidando com a verdade ou com falsificações.
Um outro sistema, que satisfaça não apenas o desejo de que o método de apuração eleitoral brasileiro seja confiável, mas que ele efetivamente permita que a verdade, com base na realidade, seja comprovada, através das evidências e da demonstração dos fatos e da lógica, baseada na racionalidade, e não na fé, não apenas é necessário, como é indispensável para que o processo democrático brasileiro seja viável, pelo menos quanto a legitimidade de um de seus pilares, a representação da vontade popular.
Eleição onde a vontade soberana dos eleitores, dá espaço à soberba e à arrogância dos agentes públicos, é um escrutínio onde já se sabe antes de sua apuração, quem perderá o pleito, a verdade em favor de qualquer falsificação.
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