Capitalistas de araque

Vida é o valor supremo para o Homem.

Para se manter vivo, o Homem necessita usufruir daquilo que a sua mente cria.

Para isso, cada um de nós deve ser livre.

Livres, não para impormos aos demais aquilo que queremos, escravizando ou parasitando os outros, mas livres para vivermos de acordo com o nosso próprio julgamento, livres para criarmos valor para consumirmos ou trocarmos.

Livres para produzirmos e adquirirmos, com o fruto de nosso trabalho criativo ou laboral, aquilo que se tornará nossa propriedade, seja ela abundante como a água, ou escassa como uma boa idéia, que se puder ser reproduzida francamente, por qualquer um, não reporá nem recompensará o tempo de vida, o esforço, os riscos e eventuais gastos despendidos por quem a fez realidade.

Vida pressupõe busca da felicidade, e busca pressupõe trabalho, criatividade, desempenho. Buscar a felicidade não significa satisfazer necessidades apropriando-se de valores criados ou produzidos pelos outros, sem a devida recompensa ou consentimento de seu proprietário.

Felicidade não é o prazer hedonista que sacrifica alguém, um outro ou o próprio.

Vida é um direito que temos, não um direito para ser realizado com o sacrifício e às custas de alguém, mas para simplesmente ser merecido, exercido sobre a nossa própria capacidade de fazê-lo possível.

Nenhum Homem estaria vivo se não fosse pela geração de idéias, pela inovação, pela transformação de algo abstrato, concebido pela mente, em algo concreto, acessível a todos.

Direitos não brotam de árvores, nem são dados por deuses, nem são criados por autoridades e muito menos por deduções econômicas, direitos são de natureza moral e como tal devem ser protegidos da imoralidade dos outros, daqueles que não conseguem enxergar os limites que separam o que é de um do que é do outro.

Apenas os marxistas aceitam que uma sociedade possa existir sob o conceito moral de que todos os que tem alguma necessidade, devem ser atendidos por quem tem alguma capacidade, sem que este decida, por sua própria vontade, fazê-lo e a qual preço.

É uma sociedade de parasitas e de escravos.

Uma sociedade de homens livres exige que se viva sob a idéia de que cabe a cada um, de acordo com a sua capacidade e advém de cada um, de acordo com a sua necessidade.

Essa é a sociedade que comercia.

Quem cria, recebe e dá. Quem usufrui, dá e recebe.

Essa é a moral do Capitalismo, onde cada indivíduo é um fim em si mesmo e não um meio para a satisfação dos demais.

Assumam-se aqueles que se dizem capitalistas e defendem o fim do mais importante direito moral que existe, o de propriedade intelectual. Vocês são comunistas do virtual, tiranos caprichosos, usurpadores do abstrato, socialistas da mente humana, o maior bem que alguém pode possuir, fonte do maior valor que se deve proteger, idéias forjadas pelo Homem.

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7 comentários

  1. Boa noite professor Roberto!

    O direito de propriedade intelectual não pode ser usado pelo detentor da invenção para impedir demais seres humanos de imitá-lo, fato que vem ocorrendo com os direitos autorais. Um inventor de um videogame, um inventor de computador, celular… tem a seu favor, hoje em dia, os chamados direitos autorais, os quais proíbem qualquer tentativa de imitação; não creio que tais direitos deveriam existir e também não sei se é isso que o senhor defende.

    Aliás, o senhor defende os direitos autorais no sentido de que seja proibido a imitação?

    Para mim é evidente que direitos de propriedade intelectual existem, sendo plenamente plausível ao inventor ganhar a partir de sua invenção, mas nunca se pode promover, a partir do Estado, a defesa desse direito. Não se pode por se tratar de um direito que, quando defendido pelo Estado, priva os demais cidadãos, em sua liberdade, de imitarem.

    Quando o Estado promove a defesa do direito de propriedade a partir da proibição da imitação, teremos situações bizarras como, por exemplo – e tratando teoricamente da situação -, um Homem-de-neandertal que não poderia imitar o machado que seu semelhante inventou porque ele estaria na posse de um direito de propriedade intelectual sobre o machado. Expressei-me corretamente?

  2. Roberto, você pensa que é legítimo usar o estado para extrair dinheiro de terceiros em nome de propriedade intelectual?

    Ao meu ver, numa sociedade filosófica, as pessoas estariam voluntariamente dispostas a recompensar criadores (comprando produtos originais, comprando livros ao invés de cópias, doando à criadores de conteúdo online, etc). Porque é assim que vivemos a virtude, trocando valor por valor, mesmo em situações onde não se aplicam consequências negativas violentas por não o fazer. Penso que assim devemos viver nossas vidas pessoais também, onde não há troca de bens tangíveis.

  3. O governo que protege a propriedade não está extraindo dinheiro de ninguém. Ninguém é obrigado a adquirir nada que não queira nem valorize. O governo apenas protege os que detém propriedades, sejam essas materiais ou intelectuais, de serem roubados ou desapropriados do valor que criaram. È para isso que serve o governo e nada mais. Se fôssemos uma sociedade onde apenas a virtude existisse, realmente, para que precisaríamos de governos, não é mesmo? Mas me parece que não é esse o caso. A perversão dos valores morais é tamanha que até o governo que deveria proteger os direitos individuais os viola, transformando-se em um empreendimento mafioso.

  4. Meu caro Lopine, se tu entendes, como escreveste acima, ser evidente que direitos de propriedade intelectual existem e que inventores devem ganhar com suas invenções, como seria possível isso se fosse permitido aos demais usufruir sem pagar pelas idéias inventadas por seu criador. Como seria possível, sem governo para proteger os direitos individuais, que esses fossem resguardados? Exatamente para não nos transformarmos em uma sociedade de Neandertais é que devemos exaltar, premiar e proteger os inovadores. O reconhecimento dos direitos individuais, principalmente o de propriedade intelectual, promoveu um surto de inovação durante os séculos que se seguiram ao Iluminismo, fazendo com que a Humanidade experimentasse progresso e paz jamais vistos antes. O governo serve exatamente para isso, para proteger os direitos individuais, incluído ai, o direito das pessoas aos frutos de sua criação, seja ela um invento ou uma obra de expressão. De que outra maneira as pessoas criativas, talentosas e inovadoras poderão viver de forma independente, livre dos usurpadores? Numa sociedade onde a moral que prevalece é a do direito à vida, auto-sustentável, sem que haja sacrifícios, mas cooperação, a criação de valor deve ser sempre recompensada de acordo com o preço solicitado pelo ofertante. O interessado em usufruir daquilo que outro criou deve pagar-lhe ou então, pode manter o status que vinha tendo, sem o valor criado pelo inovador de quem a idéia é propriedade. O Homo Sapiens, através do uso de seu intelecto tem o poder de criar, produzir ou comerciar para garantir a sua existência e buscar a sua felicidade. Ele pode também subtrair dos demais aquilo que os outros tiverem criado, produzido ou adquirido de alguém. Aqueles que entendem que somos uma sociedade de homens racionais e que o comércio é o meio pelo qual cooperamos, esses são capitalistas. Aqueles que acham que podemos desfrutar do que os outros criam, sem nada pagarmos em retribuição, esses podem ser tudo, menos capitalistas.

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