Pirataria em terra firme

O Brasil é um dos mais atrasados países em se tratando de comércio internacional.

Uma legislação altamente intervencionista e discricionária confisca dos indivíduos seus direitos mais legítimos.

Ao impedir que os indivíduos possam transacionar livremente, o governo suspende coercitivamente a possibilidade das pessoas colocarem em prática o que entenderam ser melhor para elas, com quem querem se associar, o que querem produzir, comerciar ou consumir.

Agências governamentais são criadas para monitorar, censurar e finalmente coibir as pessoas de usarem seu direito à liberdade para implementarem, com racionalidade e independência, as ações que lhes trarão a felicidade através da virtude da produtividade.

Da mesma maneira, o direito à propriedade é cassado, até que, aqueles que se aventuram a recorrer ao estrangeiro, para adquirir ou mesmo ofertar produtos e serviços, tenham atendido as exigências extorsivas dos órgãos públicos, supostos protetores de um falacioso bem comum.

A atividade empresarial no Brasil se tornou refém de despachantes, de facilitadores de todo o tipo. Prepostos que dominam os meandros da normatização aduaneira, advogados que se especializam na sufocante legislação tributária e trabalhista. Contadores que desvendam o intrincado regramento fiscal. E é claro, advogados criminalistas que sempre podem vir a ser necessários. Visto que, quando qualquer um de nós obtém um simples alvará de funcionamento para estabelecer a sua empresa, com a legislação irracional a que estamos submetidos, composta de artigos, caputs, parágrafos e adendos que nos são desconhecidos, que são incompreensíveis, vagos e até mesmo contraditórios, é impossível não se tornar, mesmo involuntariamente, um fora-da-lei.

Desde o asqueroso ato de bisbilhotar a bagagem de passageiros internacionais para tentar punir, como se fosse um pecado, ter gasto o próprio dinheiro para adquirir, no exterior, produtos muito melhores por preços muito menores, até a cobrança de impostos escorchantes de empresas importadoras que querem satisfazer o gosto, o desejo ou a necessidade de seus consumidores, o governo invade a nossa privacidade, confisca a nossa propriedade e constrange a nossa liberdade sob a alegação de que está trabalhando para o nosso bem.

Além disso, quem quiser empreender, para propiciar melhor infraestrutura com aeroportos, portos, estradas e armazéns, é impossibilitado pelo arcaico entendimento de que essas são atividades que só podem ser realizadas sob concessão pública, sujeita a pressão de interesses corporativos, políticos, sindicais ou empresariais.

Mesmo sendo um país fechado para o comércio internacional, não damos conta do pequeno fluxo de cargas que circulam pelas fronteiras do país. Atrasos e cancelamentos na atracação de navios nos portos brasileiros, pela subdimensionada capacidade instalada e lerdeza nas operações, faz da costa brasileira um pesadelo para armadores, agentes, importadores, exportadores e consumidores. Mais um pouco, a costa da Somália será um paraíso se comparada à nossa. Na realidade, se na Somália a predação ocorre em alto-mar, no Brasil ocorre em terra firme. É o governo pirateando quem produz e comercia.

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1 comentário

  1. O BRASIL IDEAL EXISTE

    Ivar Hartmann

    Para aqueles que não sabem o Brasil ideal para viver existe. Pena que é longe. É na Flórida. É o Brasil, a Argentina, a Colômbia, enfim, a América Latina ideal. Nós latinos não temos simpatias pelos americanos. Com muita razão: somos considerados pelos nortistas como gente atrasada, ignorante, um quintal. Talvez uma boa definição seja: somos para os americanos o que os nordestinos são para seus coronéis. Li no Face o desabafo: “É depressivo visitar os EUA e voltar ao Brasil. Que país de 5ª categoria esse nosso! Sem educação do povo, sem cumprimento das leis, sem capricho nas construções, estradas, pontes, etc., sem segurança, enfim, sem nada que funcione direito!” O pior do desabafo é que é verdade. Assim, as centenas de milhares, os latinos mudaram-se e seguem aos milhares se mudando a cada ano, para um paraíso, fugindo da terra ingrata onde nasceram. Pergunta-se aos brasileiros que moram lá há 20, 30 anos: “Não pensas em voltar?” A resposta é sempre um olhar de espanto. E a resposta sempre à mesma: “volto a cada ano para ver a família”. Verdade conhecida: no mercado internacional de documentos falsos, o passaporte brasileiro tem grande valor. Porque o brasileiro pode ser branco, preto, alto, baixo, moreno, loiro. Então a outra pergunta normal que se faz: “e não há segregação na escola com os filhos de vocês?” É respondida com um sorriso: “Como?” “Somos todos iguais e existem centenas de milhares de latinos aqui.”

    Cerca de 16 % da população da Flórida é hispânica. Muitos são ricos e influentes, como os cubanos. Então, não tem porque voltar mesmo. Nem daqui a cem anos nossos descendentes terão a vida que os brasileiros hoje desfrutam lá. Águas claras sejam do mar azul ou dos rios e lagoas não poluídos. Ruas, jardins e calçadas limpas onde os pedestres ou transeuntes não largam um papel. Casas onde o único obstáculo para invadi-las são os jardins bem cuidados. Segurança onde o indivíduo de aparência mais perigosa passa por nós como se não existíssemos. Saúde que atende aos anseios de ricos e pobres. Ensino que leva seus alunos a premiações do Nobel. E, para completar, duas línguas oficiais: o inglês que nem todos sabem, e o espanhol que todos dedilhamos. Para quem é jovem e tem espírito de aventura, não há como não tentar a sorte. Para os demais é aceitar que nada vai mudar no Brasil. Não é pessimismo. É verdade dolorosa.

    ivarhartmann@hotmail.com

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