Santa paciência, o último recurso das vítimas.

Parece que finalmente, chegamos a um novo round no julgamento dos protagonistas do escabroso episódio político-criminal, apelidado de mensalão.
Embargos infringentes aceitos, vamos ao derradeiro turno dos debates que encaminharão as sempre esperadas e nunca surpreendentes decisões.
Tendo concluído seu voto, o Ministro do STF, Celso de Mello, invocou o espírito das Leis e do Direito, mas manteve no armário os esqueletos da Justiça, que tanto assombram os acusados.
Ressaltou o direito dos réus ao devido processo legal, para o bem de se afastar tratamento clamoroso, insensato e pervertido, baseado na ensandecida turba de brasileiros que buscam vingança por terem sido tratados como idiotas, e roubados, com desfaçatez e despudor pelos então governantes.
Abro um parênteses para lembrar que alguns deles ainda estão governando por aí. 
De fato, o devido processo legal é importante para que cada um dos acusados tenha o legítimo direito de defesa, evitando-se que tenha sua liberdade, sua propriedade e sua vida violadas injustamente.
Entretanto, se isso serve para proteger os interesses dos réus, deveria servir também para preservar, com isonomia, a reparação às vítimas. Nesse caso, milhões de brasileiros, ludibriados por uma quadrilha munida de diplomas, crachás, cartões corporativos e um infindável gosto pelo poder. 
O ataque contra a liberdade e a propriedade dos réus, que o Ministro Celso de Mello pretendeu evitar, somente está ocorrendo, como retaliação prevista em lei à violação absurda, inaceitável, ilegítima e injustificada da liberdade, da propriedade e da vida das vítimas, cada um de nós, iludidos cidadãos brasileiros.
Assim, quanto mais se dá o amplo direito de defesa aos réus, desejo daquele decano, mais se restringe o acesso das vítimas à Justiça. Justiça essa, uniformemente desejada pela população honesta desse país.
Para o equilíbrio no trato legal, os direitos não devem ser mais amplos, nem mais restritos, do que os deveres consequentes.
É inaceitável que em poucos meses de governo, os líderes do PT, em cumplicidade com outros, tenham planejado e agido com voracidade, velocidade e destemor impressionantes para atacar a liberdade, a propriedade e a vida de milhões de indivíduos. E que onze funcionários públicos de toga levem quase uma década, senão mais, para concluir, que o mal foi feito e, como tal, é um crime passível de punição.
Depois de oito anos sendo julgados, numa mesma instância, sendo essa, a mais alta corte do judiciário nacional, o que se está infringindo em termos, é a própria natureza da Justiça, da Lógica e do bom caráter das instituições, originárias do nosso inalienável direito à vida e ao reconhecimento concreto da realidade que nos cerca.
Bem, mas vale lembrar também, que estamos no Brasil e que por aqui, acima da justiça, da lógica e do bom caráter, acham que nos é suficiente invocar o sagrado direito à santa paciência, refúgio e recurso permanente para vítimas possuidoras de atávico conformismo servil.
Não foi dessa vez meus caros compatriotas, o Brasil não mudou, segue sendo o que sempre foi.
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