Pobre Papa, haja paciência!

Primeiro, fizeram-no esperar em pleno ar.

Ali, do alto dos céus da Guanabara, matando o tempo, o Santo Padre podia ver, lá embaixo, o filho de Deus, com seus braços abertos, a esperar que a presidente da República Federativa do Brasil chegasse antes dele para, obviamente, vir a recepcioná-lo.

Depois, já em terra, agora sob os olhares do mesmo Cristo Redentor, Francisco I era conduzido, com seu cortejo, para um…engarrafamento!

Sob as vistas do filho de Deus, plantado sobre o Corcovado, fizeram com que seu representante mais ilustre, passasse por duas provas de fé absoluta, confirmando que sim, ele estava na América Latina, e mais, estava no Brasil, a terra da sagrada incompetência, onde tudo que poderia dar certo, jamais dá, e tudo que poderia dar errado, dá com a graça de todos os santos e anjos estatais.

Mas não seria o suficiente para abalar quem lida com a Eternidade como profissão.

Seria ainda, o Papa “pop”, submetido a mais uma prova de fé que determinaria, como um tríplice sacramento, que sim, ele estava no Brasil, a grande nação latino-americana, berço de santos e anjos de carne e osso que pregam a irmandade terrena de seus companheiros, os que praticam a comunhão fraterna do repartir os pães dos outros para compartir entre si. Os santos e anjos de barba ou bigode que excomungam os que não rezam pelas suas cartilhas marxistas leninistas. Os santos e anjos de vermelho sangue que exorcizam os demônios que pregam o Capitalismo Selvagem ou o Imperialismo Maldito, pragas que enriquecem os pobres e empobrecem os nobres, fazendo a todos ricos, como uma seita infernal que ludibria os bem-aventurados contra o que dita a fé na igualdade dos desiguais, mesmo que seja a igualdade com a morte, matada ou morrida.

O Papa Francisco ouviu e silenciou.

Finalmente, enquanto a presidente discursava com usura, entoando odes a sua ideologia terrena, eivada de socialismos, demagogias, cantilenas inverossímeis, o Papa ouvia em silêncio e pensava certamente, como é bom estar de volta a minha América Latina, vejo que nada mudou, estou certo que retornei.

Como o estadista que é, sorriu, mudou o tom da conversa e fez o que tinha que ser feito, calou a todos, com sabedoria.

Demonstrou paciência o Santo Padre, bateu no portal do coração, disse a que veio, viu, foi visto e venceu.

O que disse mesmo a presidente? Nada que a realidade não nos fizesse esquecer em segundos.

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