O Mercado Público e seus heróis

Crédito: Maurício Tonetto / Terra
Que tristeza, o Mercado Público de Porto Alegre foi consumido pelo fogo.

Queimou rapidamente porque não choveu na hora certa.

A natureza não ajudou a conter as chamas, coisa que os bombeiros também não puderam fazer, deixando que o incêndio se alastrasse até se extinguir por conta própria.

Isso me lembrou a rotina diária vivida por viajantes, quando a neblina teima em aparecer no aeroporto Salgado Filho, justo quando os aviões querem decolar ou aterrissar ali.

A natureza não ajuda os aviões a alçarem voo, o que os gestores do aeroporto também não conseguem fazer, deixando as aeronaves inertes no solo até que a neblina se dissipe.

A única coisa que não precisa da ajuda da natureza é o furor tributário e regulatório dos governantes e sua incapacidade de retribuir à população que os sustenta, com os serviços que essa está sempre a esperar.

A recente tragédia ocorrida em Santa Maria, de nada serviu para prevenir a presente tragédia de Porto Alegre, onde felizmente, não houve vítimas fatais.

Mais uma vez, vemos a desídia e a inépcia dos governantes conspirarem contra os nossos interesses.

Vemos a Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros serem desmantelados, restando-lhes a falta de condições para exercerem os seus papéis.

Quando os bombeiros trabalham com tal nível de despreparo, a população consternada, logo os chamam de heróis.

Mas quem quer heróis trabalhando?

Queremos profissionais competentes, habilitados, preparados e munidos das condições necessárias para cumprir sua missão.

Os heróis que afloram nessas circunstâncias, são as vítimas que perderam tudo pela incompetência do governo em prestar os serviços que são a razão única dele existir.

Os heróis são os comerciantes, seus consumidores e seus funcionários, que lutam pela sobrevivência diária, exauridos por impostos arrecadados por governos autoritários e ineficazes.

Os heróis são os empresários que abasteciam a cidade, apesar de toda a intrincada burocracia estatal e a asfixiante carga fiscal que pesa sobre todos nós e que tinham que superar.

Os heróis são os que ali investiram anos e anos de trabalho para verem, da noite para o dia, seu futuro arder em chamas.

A incapacidade do governo de prevenir ou de remediar sinistros como esses, expõe que os homens dos carimbos e dos alvarás não têm a mesma competência para cuidar do que é nosso como nós temos.

Quando há um sinistro, os governantes, mesmo com evidente responsabilidade, jamais reembolsam as vítimas. Sequer pedem desculpas. Nunca renunciam a seus cargos. Apenas esquivam-se, argumentando ter havido uma rara fatalidade ou um ato maior da natureza.

Como dizia Francis Bacon: “”Só se pode vencer a natureza obedecendo-a.”.

Para obedecer e vencer a natureza, todo homem necessita da razão, de sabedoria e de humildade.

Isso seria difícil demais para qualquer político, a natureza deles, nesse caso, também não ajuda.

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