Defendendo o Estado

Crédito: Valeria Rodrigues
Quando vemos uma das principais formadoras de opinião da esquerda brasileira, que hoje domina a cena política nacional, desqualificar, com inédita agressividade verbal, a mais significativa parcela da população, a chamada classe média, fica evidente, até para os mais céticos ou ingênuos, qual a base filosófica que nutre a cultura do ódio presente na concepção das ideias, das metas e das ações dos governos capitaneados pelo Partido dos Trabalhadores.

Sem nenhum pudor e com total dedicação, os seguidores dessa linhagem filosófica tomaram conta do Estado brasileiro e, com tenacidade ímpar, vêm impondo sua visão de mundo de maneira avassaladora, desintegrando opositores, estabelecendo a discórdia, corrompendo as instituições, pervertendo valores e atiçando disputas, conflitos e a violência.

Qualquer um que tenha alguma noção de filosofia, consegue identificar, claramente, que temos abandonado a trilha dos pensadores que defendem a realidade como fundamento metafísico, a razão como instrumento epistemológico, a vida e o bem como propósitos éticos, a liberdade individual como base política, a propriedade privada como amálgama da economia e a idealização como padrão artístico. Estamos todos sendo carregados, aos empurrões, na marra, pelos filósofos do contra, os defensores do nada, os apreciadores do irracionalismo consciente platônico, do niilismo voraz kantiano, que praguejam, que mistificam, incitando a massa de incautos ou aproveitadores, na direção do rompimento da tênue malha social, tecida pela vontade de conviver em paz, para cooperar espontaneamente em busca da prosperidade.

O Estado, instituição idealizada para promover a civilidade e a convivência pacífica de indivíduos diferentes pela própria natureza, tem adquirido forma e métodos que contradizem seu propósito original, erradicar a violência, proteger os que criam, produzem, comerciam e servem legitimamente por interesse próprio, daqueles que parasitariamente buscam satisfazer-se pelo uso da força ou da fraude.

Vivemos no Brasil, a instauração de um apartheid multifacetado, onde os ocupantes do governo, maquiavelicamente, jogam brasileiros contra brasileiros, privilegiam uns em detrimento de outros, seja pela cor da pele que apresentam, seja pelo mérito intelectual que possuem, seja pela classe socioeconômica a qual pertencem, seja pela orientação sexual que desfrutam, seja pela preferência política que abraçam ou pela atividade profissional a qual se dedicam. Tudo perfeitamente orquestrado para dividir e poder reinar absolutamente, sem críticos, sem opositores, cercando-se apenas de bajuladores circunstanciais, que dobram-se em mesuras, servil e covardemente desenhadas, para compartilhar do poder.

Os sonhos de alguns, de ver implantado por aqui uma república constitucionalista, com características federativas, democráticas e liberais, que limitassem os poderes do Estado, submetendo-o aos interesses dos que prezam a convivência em sociedade de forma civilizada, pacífica e cordial, permitindo ao indivíduo a necessária liberdade e independência, para buscar a felicidade através do esforço próprio ou compartilhado, em livre associação, têm sido boicotados sistematicamente por perversores da Lei e do Estado.

Esses Protágoras travestidos de Diógenes, sabem da inviabilidade institucional com a qual nos defrontamos.

Será necessário, em breve, redefinirmos o papel desse Estado mastodôntico, surreal, cruel e anacrônico. Todas as manifestações da sociedade civil, organizada ou não, devem levar em consideração que estamos, cidadãos de bem, de todos os perfis, ameaçados pelo obscurantismo ideológico dos herdeiros do coletivismo predador que escraviza o indivíduo, tornando-o propriedade de uma corporação que, por silogismo, jamais poderia ser chamada de Estado, porque não o é.

Precisamos defender o Estado, resgatando-o das mãos daqueles que têm se valido dele para praticar o que deveriam estar a combater, o atentado às liberdades fundamentais, a violação das propriedades legítimas e o impedimento da busca inevitável da felicidade.

Se queremos um contrato social, que seja aceito unanimemente por quem aqui está ou estará, uma única cláusula lhe é permitida, aquela que determina nossa escolha pela vida. Pela vida próspera, construída com racionalidade, honestidade, integridade, independência, justiça e produtividade, de forma que recobremos aquele sentimento, já tão minguado, o orgulho de ser cidadão brasileiro e defensor do Bem. 

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