Em defesa do Estado

O Estado foi uma das mais interessantes invenções do Homem a serviço da Humanidade.

Como foram, também, o automóvel, a moeda, a energia nuclear, o avião, o computador e tantos outros artifícios, idealizados e desenvolvidos para melhorar nossa vida em sociedade.

Como todas as invenções que nos servem, o Estado precisa ser bem gerido, conduzido por gente capaz e habilitada, para evitar desvios de rumo e problemas de conduta.

Gente com bom caráter e discernimento para fazê-lo cumprir o seu papel ideal.

É incompreensível que haja quem queira acabar com o Estado por suas distorções.
Ninguém pensa em acabar com os carros porque eles atropelam, poluem, estragam ou consomem recursos, muitas vezes em demasia.

Ninguém pensa em acabar com a moeda porque há inflação, falsificações lesivas ou perda de credibilidade circunstancial.

Ninguém pensa em acabar com a energia nuclear porque ela proporcionou duas explosões hecatômbicas, com centenas de milhares de mortos, ou porque vazamentos radioativos tiveram consequências severas e danosas.

Ninguém pensa em acabar com o avião por conta dos atrasos dos vôos, dos acidentes dramáticos, do uso militar que lhe foi designado, ou por terem sido usados em atos terroristas que mataram milhares de inocentes.

Ninguém pensa em acabar com o computador por conta dos usos deploráveis que a ele se pode dar como a disseminação de spams, invasão de privacidade, ataques cibernéticos, golpes financeiros, divulgação de pornografia, obsolescência estressante.

Todas essas criações do ser humano podem servir ao bem, como podem servir ao mal. Dependerá de quem as conduzir.

Nenhuma invenção como essas funciona autonomamente.

As mentes dos homens que as dirigem, de acordo com sua perícia, com seu caráter, sua visão filosófica, dão propósito e curso a essas criações extraordinárias.

Acabar com o Estado, seria sucumbir, seria subjugar-se à irracionalidade, ao mal, ao nada.

Acabar com o Estado, seria como acabar com os automóveis, com a moeda, com a energia nuclear, com o avião, com o computador. Seria acabar com o próprio processo civilizatório.

Possuímos instrumentos para melhorar nossas vidas e devemos nos aprimorar para sabermos como poderíamos utilizá-los melhor.

Esse é o grande desafio da Humanidade, saber lidar com suas invenções com a racionalidade indispensável, de maneira a aprimorá-las para o exercício do bem, fazendo com que se constituam efetivamente, num meio eficiente, justo e adequado para a busca da felicidade que todos almejam.

Não queremos que nossas invenções caiam nas mãos de bandidos, de mal intencionados, de imperitos, de irresponsáveis, de gente que usa os nossos instrumentos contra nós.

Está na hora de sairmos em defesa daquilo que inventamos para o nosso próprio bem.

O Estado, conquista da Humanidade para conter a escória, foi, em certa medida, tomado por ela.

Nossa luta deve ser a de recolocar o Estado no seu caminho pertinente, o da defesa do indivíduo, do cidadão de bem, dos direitos individuais, contra o uso da força e da fraude por inescrupulosos.

Os verdadeiros inimigos do Estado, são estes que dele se apropriam para perverter suas funções.

Como a História, a Ética e a Razão já demonstraram, estes inimigos do Estado são verdadeiros inimigos da Humanidade.

O Estado deve defender a sociedade e a sociedade deve defendê-lo da escória que, de vez em quando, ali se aloja, para praticar exatamente aquilo que o Estado deveria evitar.

Os defensores do Capitalismo deveriam ser os primeiros a tentar proteger o Estado, dos aproveitadores de plantão.

É imprescindível para o Capitalismo, que o Estado seja o instrumento de defesa da liberdade, da propriedade e da vida das pessoas.

O fim do Estado pode ser o fim da Civilização.
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